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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Entre o descaso e a falta de educação

Dia útil, aproximadamente 15 horas, o terminal urbano estava movimentado, afinal, começo de mês as contas precisam ser pagas. Em meio ao aperto de pessoas, reclamando da demora dos ônibus, aproxima-se um casal de idosos, os quais chegaram depois do motorista fechar as portas da linha que vai ao Vila Bertini. Ele com camisa listrada e ela com sacolas nas mãos correram e pararam no ponto, onde o ônibus permaneceu com as portas fechadas. Pediram para abrir, o motorista “não viu” e engatou primeira, mas graças aos gritos dos passageiros e das pessoas que ali aguardavam, o motorista parou no ponto da frente, onde as pessoas que pegam ônibus ao bairro Antonio Zanaga ficam, e permitiu que o casal entrasse.

Do lado de fora era possível ver o aperto. Pessoas grudadas uma nas outras. Cobrador com três botões da camisa abertos, afinal, o calor ali devia estar muito forte, mesmo com as janelas abertas, permitindo entrar o clima do outono americanense.

O casal embarcou, em pé, mas não tem problemas, afinal, aos olhos dos grandes eles não dão lucro, não pagam pela passagem e mesmo com a idade avançada se equilibram na parte da frente, entre curvas e freadas secas, para chegar ao ponto desejado.

Em outra semana, em um aglomerado ainda maior, no mesmo terminal urbano, uma senhora, com cabelos curtos, porte baixo, bengala para deficiente visuais nas mãos, aguardava o ônibus para o destino desejado.

Era por volta das 13h. No terminal tinha estudantes de diversas instituições de ensino. Tinha pessoas com crachá pendurado e expressão de preocupação estampada no rosto. Havia também pedintes, gente vendendo trufas, pessoas com crianças no colo, crianças de mãos dadas aos adultos, idosos e até cadeirantes, porém, minha atenção permaneceu nesta senhora que, cuidadosamente, segurava sua bengala.

Com traços orientais, ela pouco se mexia e aguardava o sinal de uma outra senhora, desconhecida, para avisar qual ônibus estava passando. No ponto, o ônibus com destino ao Jardim Alvorada – Via Nova Americana chegou. Chegou um pouco atrasado, várias pessoas desceram e muitas correram para poder embarcar. O empurra-empurra era nítido, a educação passou longe e aquela senhora, começou a se mexer. Rugas de preocupação formaram-se em sua testa e ela virou-se de costas para o ônibus, procurando, com as mãos e a bengala, um lugar melhor para ficar. Um gritou ardido ecoou dentro dos meus ouvidos. Aquela desconhecida avisava-a que não era aquele o ônibus e com voz tremida, pude ouvir: “Eu imagino que não é esse ônibus, mas preciso de outro lugar, vou tentar sentar”.

Enquanto esperava minha vez de embarcar, entre toda aglomeração, pude acompanhá-la pelo olhar, no banco cinco pessoas, um jovem, um senhor negro dos cabelos brancos, e três mulheres – todos apertados. Ninguém ofereceu o local, até que o senhor dos cabelos brancos, que mal cabia no banco, em um ato de cavalheirismo, pediu para que aquela oriental sentasse.

O banco continuou apertado e entre o descaso do poder público e das empresas responsáveis para com o transporte e a pouca educação dos usuários, aquela senhora continuou sem se mexer, apenas segurando forte sua bengala.

O ônibus saiu e entre o aperto do lado de dentro e a pressa do motorista, meus olhos, fixados no lado de fora, a seguiram enquanto possível e em nenhum momento foi possível perceber um único movimento em seu corpo.

No papel as campanhas para salvar o planeta são lindas. Nas redes sociais o hashtag com a palavra  sustentável parece moda, mas na prática, é algo inexplicável.

O planeta não depende apenas da boa vontade do poder público em criar práticas sustentáveis de desenvolvimento econômico, ele depende de um olhar coletivo, onde o todo ou a maioria desfrute dos benefícios.

Talvez para aquela senhora dos traços orientais pouco interessa se o vereador reuniu-se ou não com representantes de empresas, ela precisa de uma solução, de ficar menos perdida e ser menos atingida quando precisar voltar para a casa. O casal não quer saber quanto se gasta com manutenção de frota, eles precisam de um banco para sentar, de um lugar apoiar-se, de serem tratados como cidadãos e não visto como pessoas sem possibilidade de lucro.

As pessoas que estavam no tumulto, precisavam chegar à algum lugar e talvez a correria não fosse devido à pressa, mas sim ao medo de ficar para trás, de super lotar o carro e a primeira marcha ser engatada, deixando, usuários que pagam passagem e impostos aguardando um novo aglomerado.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sonho de liberdade derrotado pelo poder

A segunda-feira era monótona em Americana, quando um portal de notícias regional – leia-se EPTV, publicou que a cidade de Nova Odessa manterá as barras de ferro instaladas irregularmente nas calçadas de comércios do município.

A instalação das barras é para evitar que a conhecida e já respeitada gangue da marcha ré aja de forma prejudicial aos comerciantes.
A gangue já speitada em toda a região,  agiu em diversas cidades e graças a eles, comerciantes prendem-se cada vez mais ao medo e buscam uma cadeia particular junto  ao investimento.
Os bandidos andam de carro, engatam a ré, destroem a frente da loja, roubam, engatam a primeira e correm. Um ou outro é preso. Paga a fiança e consegue sair do sistema já com a segunda engatada, cantando pneu.

A cadeia particular por sua vez ganha cada vez mais força. Alguns colocam grades em frente ao comércio, câmeras de segurança e até mesmo barras de ferros irregulares.
Não quero discutir o sistema de segurança de cada município e muito menos questionar o trabalho dos policiais. Quero falar do Estado, falar do Brasil.

Antes de discutir o que é culpa do PSDB (Estado) ou do PT (País), temos que discutir o que é culpa da liberdade. O ser – humano pouco conhece o verdadeiro sentido dessa palavra e nos dias atuais, podemos concluir que quando as grades faltam, os carros invadem e os lojistas perdem.
Vivemos em um jogo, onde o avançar economicamente significa arriscar-se perdidamente. Os dados do tabuleiro não dão a opção de tranqüilidade. Uma troca de olhares na rua, que antes era entendido como flerte, hoje pode ser chamada de ameaça.
O tabuleiro nos dá vários exemplos de ladrões, diversos tipos de bandidos e centenas de exemplos de más companhias. Há os ladrões de comida, que dizem roubar para sobreviver e culpam o sistema miserável pela precariedade. Há também os ladrões de terno e gravata, que com erros gravíssimos de concordância verbal, ironicamente, prometem altos investimentos para educação.

No quesito bandido, já enquadro também às más companhias. A nossa sombra está aprendendo o jogo da traição. A mentira está empatada com a verdade e nossa mente está cada vez mais confusa, não sabendo em quem acreditar.

O sorriso e o abraço do homem da lei compra a verdade do homem do povo, o povo ignora a sabedoria e opta pela facilidade da ignorância.
O filósofo iluminista, Jean Jacques Rousseau, afirmou, em sua sabedoria que “a liberdade é algo que pode ser conquistada, mas nunca recuperada”. Trazendo esta frase, remeto ao passado, quando meus pais tinham medo que eu aceitasse doces ou brinquedos de estranhos, que poderiam me seqüestrar. Em meados de 97, as brincadeiras na saudosa rua Tupiniquins eram inocentes. Eu e alguns meninos corríamos contra o vento, nos escondíamos atrás de caminhões e gritávamos como crianças descobrindo a legitima graça de brincar na rua.

Nossa liberdade era extremamente vigiada pelos moradores, que conversavam no portão. O homem do saco preto nunca me pegou, mas muito me amedrontou. Ao contrário da loira do banheiro ele era real e hoje, já posso chamá-lo surreal.

O seu saco foi trocado por carros de última geração, por armas de fogo e erotismo. Ele não rouba criança, ele molesta, ele mata, ele vende órgãos e chantageia.

Ele é a prova viva de que a liberdade foi corrompida antes mesmo de ser conquistada e que jamais será recuperada. Se antes, dona Maria temia que eu, sua filha, aceitasse uma bala do temido estranho, hoje ela teme que sua neta receba um olhar diferente e ameaçador.

Os tempos estão mudando, as grades em estão em volta ao ser humano. A legítima prisão está do lado de fora e seja com a tal da gangue da marcha ré ou com o homem do saco preto, a vida está se tornando uma prisão materialista, onde o poder, seja ele capitalista ou comunista, tem plena chance de vencer e rouba a pequena esperança de liberdade que existe entre os povos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O tal do João do Santo Cristo

Eu tive vontade de cantar, enquanto estava sentada naquela sala de cinema. A terça-feira era fria e chuvosa e conforme acompanhava, encostada naquela poltrona vermelha, a história de João Santo Cristo (Fabrício Boliveira), mais aumentava minha admiração pelo poeta Renato Russo.

Enquanto admiramos grandes produções audiovisuais, efeitos especiais de alta qualidade, super-heróis vencendo a luta do bem contra o mal, me apaixonei por uma produção poetizada, criada em cima de uma canção que poucos conseguem cantar até o final.

A poesia, em forma de filme, me lembrou outras canções de Renato Russo. Quando no final, os braços dos personagens principais se cruzam, deitados ao chão, lavados a sangue, por exemplo, me veio à cabeça a famosa frase “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Em tempo, parei para pensar, “que país é esse”?, onde um delegado persegue o pobre para ajudar ao rico. O inicio do amor de Santo Cristo por Maria Lucia (Isis Valverde) também nos remete a sensação entre “Cruz e a Espada”, onde, “um sentimento quase infantil, com medo e timidez” começa a nascer.

Entre tantas cenas fortes, de amor, poesia, desgraça e corrupção, Maria Lucia parece questionar-se, “quem inventou o tal do amor” e Santo Cristo, a cada pegada, a cada corrida contra o tempo, contra o tão sofrido destino, enquanto não revelava a verdade à sua amada, parecia pensar: “Um dia pretendo tentar descobrir, porque é mais forte quem sabe mentir . Não quero lembrar que eu minto também”.

A cada segundo uma nova canção, a piscada uma sensação diferente. Uma poesia retratada no telão, um romance dificultoso, com racismo, drogas, tráfico, preconceito, falta de oportunidade, que nos remete à questão do destino.

Poucos conseguem compor uma história com emoção, Renato Russo fez mais, compôs uma história com emoção, uma realidade que pode ser retratada na ficção e a letra de uma canção que ainda deverá ser tocada nos churrascos nos meus tataranetos. 


Vejam o trailer oficial:


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Ei mundo,,,


Na mesma semana em que professores em São Paulo fazem greve e reivindicam não apenas aumento salarial, mas sim respeito e dignidade à profissão, situações absurdas e revoltantes nos dão “bom dia” ao nascer o sol.
Ao mesmo tempo em que uma profissional da educação, que sofre abuso e ameaças dentro da sala de aula solicita mais segurança e um aumento justo de salário, jovens, que sofrem com a falta de educação, cometem crimes, talvez, jamais imaginados por “bandidos profissionais.”
Caso a caso nos dão a plena certeza de que não queremos apenas comida. A própria canção diz que a “gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. O ser - humano precisa sim de punições, desde o momento em que ele saiba o porquê está sendo punido.
Além de nos surpreender, o homem, em sua existência, consegue ter o legítimo dom de nos decepcionar. A cada caminho escolhido, ele consegue deixar pedras e espinhos, que muitas vezes, não conseguimos desviar a acabamos sentindo a dor da pisada errada. Além da pisada errada, sentimos a dúvida e tentamos descobrir de quem é o erro. O erro é de todos, de quem pisou, de quem jogou e de quem distribuiu as pedras e os espinhos.
Discussão e revoltas sobre o que fazer com o corpo do criminoso (digo corpo, porque para mim não passa de uma matéria agindo por impulso, sem sentimento ou inteligência), talvez não leve a nada. A revolta é grande, porém o futuro nos espera. Eu não quero me dizer revoltada apenas  com a dentista morta ou com o jovem cruelmente assassinado. Eu quero e me digo revoltada com o assassinato da cultura, com o enterro da educação e várias tentativas de homicídio do respeito.
Eu me revolto com as todas as Marias agredidas por vários Marios, que após serem intimados pela Lei Maria da Penha, assassinam cruelmente, apenas pela “doce vingança”. Eu me revolto pela criança que sofreu abuso de um “homem de Deus”, pelo garoto que perdeu os pais e foi jogado em um abrigo, sem pretensão de futuro e até mesmo pela menina que queria uma boneca e acabou ganhando um filho.
Políticos correm atrás da mídia para dizer que são favoráveis a redução da maioridade penal. Fazem lindos discursos, coletam assinaturas, abraçam e beijam os eleitores e pela TV ou pelas redes sociais mandam os “sinceros sentimentos” aos familiares das vitimas. Sentimentos entres aspas, afinal, para eles o que é sentir? Será mesmo que estão no lugar do outro? Por que belos discursos ao invés de um minuto de silêncio e oração?
Em suas lindas e cultas palavras pouco falam do aumento salarial aos professores, de novos investimentos á educação.
Os corpos que cometem atrocidades já foram filhos e talvez um dia deixaram de ganhar um beijo de boa noite. Eles já foram crianças e tiveram o sonho de ser jogador de futebol trocado por uma briga de família. Já aprontaram, inclusive na escola e talvez, ao invés da chamada de atenção culparam os coleguinha e os professores, deixaram, ainda criança, inocentes serem julgados e correram para o abraço e aconchego dos pais.
Pais e mães querem o um futuro melhor aos filhos, porém poucos se lembram de dar Bom dia a eles. Querem criar homens e mulheres de bem esquecendo-se de olhar o caderno com a lição de casa. Sonham com um futuro melhor, com um Brasil da educação, com um mundo sem miséria e almejam a paz mundial, porém, brigam em casa, perdem o espaço um do outro, utilizam de palavras de baixo calão e deixam que a ganância e o dinheiro tenham autoridade máxima.
O sentimento está sendo materializado. Falar sobre amor e compartilhar giffs bonitos nas redes sociais tornou-se moda, porém, sentir-se bem e lutar para que realmente o amor aconteça tornou-se ridículo.
            Os menores têm sim que ser julgados e amparados, mas não somente pela lei e sim pela família, pelos amigos e pelo mundo. As crianças precisam de limites dentro de casa. O  mundo precisa de amor e todos, sem exceção precisam de educação, cultura, arte e dignidade para poder viver.
            Todos precisam do próximo e o próximo precisa de todos, para que assim, as pedras e espinhos jogados no caminho sejam menos dolorosas a cada pisada.  

terça-feira, 2 de abril de 2013

Cotidiano


                Entre as águas que corriam a Rua Fernando de Camargo, em Americana, na tarde chuvosa desta terça-feira, duas histórias me chamaram a atenção. Em um quebra-cabeça da vida, várias peças juntaram-se, uma ao lado da outra no ponto de ônibus e todas formaram o desenho ideal de seres-humanos que tem muito a contar, mas que jamais seriam pauta para um veículo de comunicação.
                Uma mulher de cabelos curtos e pretos, pele branca, e um sorriso de canto a canto da boca comemorava uma conquista. Um senhor careca, com bengala na mão, expressão de cansado e manco fingia não se importar com nada, nem com os buracos na calçada que o atrapalhavam ainda mais na caminhada. Jovens atordoados e sob efeito de álcool e drogas iam e voltavam mexendo com as pessoas no ponto de ônibus.
                - O ônibus que vai para o Romano já passou? – questionou a mulher, com aproximadamente 40 anos.
                - Eu vim atrás de emprego. Eu consegui um emprego. Agora não trabalho mais de doméstica nem em casa. Agora eu trabalho no Extra – dizia freneticamente após obter a resposta sobre o ônibus.
                Os seus olhos brilhavam de um modo surpreendente. Seu sorriso exalava alegria e parecia até mesmo um sorriso de uma criança quando ganha um brinquedo novo. Mesmo sentada balançava as pernas no banco e tinha a necessidade de repetir que havia conseguido o emprego.
                -Quanto você vai trabalhar? 6x1? – Questionava o senhor com a bengala, enquanto a mulher sorria e repetia que havia conseguido o emprego.
                -O que? Quanto eu vou ganhar? – Respondeu inocentemente.
                -Não, eu quero saber quanto tempo você vai trabalhar, quando vai folgar – Revidou o senhor, sem soltar um único sorriso ou expressão de alegria pela conquista daquela desconhecida.
                -A, eu tenho uma folga por semana e um domingo por mês. Vou ganhar setecentos e poucos reais e...
                -Nossa, o salário é baixo mesmo.
                - Mas eu tenho cesta básica em dinheiro e vale transporte. Olha, nesse emprego eu ganho vale transporte. E setecentos e poucos é melhor do que não ganhar nada em casa.
                O silêncio por alguns instantes predominou, mas o sorriso daquela mulher prevalecia. O brilho do seu olhar chegou a espantar a melancolia da tarde chuvosa e o assunto voltou-se para a vida daquele senhor.
                - Eu trabalhei muito nessa vida, agora estou afastado há mais de 20 anos. Estou tentando me aposentar pelo INSS, mas tive que entrar na justiça. É tudo muito humilhante.
                A mulher apenas olhou em sua direção e ele continuou:
-  Eu tenho problema na coluna e não posso mais operar. Fiz duas cirurgias, tirei osso daqui, coloquei ali, tenho pino aqui, já usei traqueo, quase não consigo andar e estou tentado mesmo aposentar. Eu só quero sossego. É muito humilhação ir naquelas pericias. Já contratei dois advogados e eles mentiram para mim. Agora luto para aposentar por conta própria, dei entrada com os papeis na justiça e eu mesmo vou atrás de tudo.
                O silêncio continuou, até ser quebrado pelos jovens, que sob efeito de álcool e drogas mexiam com todos no ponto de ônibus.
                - Vejam estes jovens, com tanta saúde, tanta disposição, podem fazer o que querem e estão ai, assim. Eu aqui, sonhando em trabalhar e não posso.
                O seu ônibus chegou, com dificuldade ele levantou do banco e soltou um sorriso ao dizer tchau. Parece ter desabafado, sua dor era nítida a cada passo que dava.
                A mulher do emprego de setecentos reais continuou sorrindo, agora sozinha e pela sua expressão não via a hora de poder utilizar seu primeiro vale transporte ganho no emprego.

                O homem triste com dor, talvez não veja mais estes jovens saudáveis que desperdiçam as oportunidades e muito menos a mulher de quarenta e poucos anos que conseguiu um emprego, mas com certeza, tenha em si a serenidade de que aproveitou o quanto pode e que setecentos reais, para ele pode ser pouco, mas para outros é uma fortuna e uma grande conquista.  



sábado, 12 de maio de 2012

A mãe da Mari


Era uma vez, uma mulher, casada e com dois filhos. O primogenito tinha 11 anos e o mais novo 8. Essa mulher, aos 38 anos,  sem querer  (poder) querendo engravidou novamente e 8meses depois eu nasci (sim, eu nasci adiantada, era para eu ser ariana, mas prefeiri ser psciana)
História bonita não? Parece normal eu sei, mas eu te contar que essa mulher que eu chamo de mãe tem super poderes, você acreditará?
Pois bem, pode estar o dia mais bonito do ano, se ela disser que vai chover, tenha certeza: choverá (eu sempre me ferro por pensar que ela vai errar). Pode estar o sol que estiver, se ela disser: “leeeve blusa menina”, tenha certeza que pode cair até neve do céu.
Mas essas previsões não são apenas com a meteorologia não. Ela sabe se o meu namoro vai dar certo ou não, se o que vou comer na rua fará mal e até mesmo se vou conseguir superar minha nota na faculdade.
Mas além destes poderes, ela tem o dom do delay. Para quem não sabe, delay é uma palavra em inglês e significa atraso. Esse efeito muito utilizado por guitarristas em pedaleiras, faz com que o som chegue com um certo atraso e através de um bom equipamento, va-se controlando a repetição. Pois bem, ela diz algo que não me agrada, eu finjo não ouvir, mas mesmo com atraso aquilo vai econado em minha mente eo eco não para. Sua voz não sai do pensamento e mesmo se fosse dar certo aquilo que voce pretendia, toda aquela voz chegando com atraso e eco em sua mente já ferrou todos os planos.
Enfim, ele vence qualquer super herói, afinal, já derrubou várias correntes do mal em minha vida e na vida dos meus irmãos, já nos curou e também já foi curada, enfim, já venceu muitas batalhas na vida e sempre reergue-se com um lindo sorriso e um brilho diferente em seus olhos verdes.
Ela viveu 60 anos em função de si própria e sem dúvida 60 anos em função dos filhos, pois, tudo que pode nos passar hoje decorre de muito que aprendeu ontem.
Portanto, cada vez que me  perguntam o que minha mãe representa para mim, eu posso, sem dúvida dizer: A heroina, aquela que advinha das coisas, me previne do mal e me protege quando necessário.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cômodo do conhecimento, Castelo na Mente


Certa vez uma menina curiosa sonhou em ser palhaça. Ela tinha vontade vontade de vestir um nariz vermelho, mas ser algo a mais daquilo que já  conhecia. Essa menina conheceu um palhaço que a convidou para vestir o nariz vermelho com ele. A primeira vez não deu muito certo, mas na segunda ela foi e conseguiu.

Em meados de 2006 a menina que sonhava encontrou-se na realidade dos palhaços. O tempo foi passando e ela se aperfeiçoando.

Seu signo é peixes e como consequencia seu defeito é a insegurança. Esse defeito fez com que várias pedras surgissem no caminho de sua imaginação, mas seguindo o conselho de Fernando Pessoa, com essas pedras ela construiu um imenso castelo.

Nesse castelo várias idéias foram abrigadas. Vários comodos construidos e um deles foi especialmente reservado para o conhecimento.

Em abril de 2012 um novo morador chegou no castelo para aconchegar-se no doce canto do conhecimento. De porte médio, vermelho com detalhes brancos, histórias e uma boa teoria ele encantou a todos.

Novo Morador
Quem o enviou para o castelo foi Morgana Masetti, também autora do morador Soluções de Palhaços – Transformações na realidade hospitalar, que conta do encontro entre e palhaço e criança no ambiente hospitalar.

Pois bem, voltemos a falar deste novo morador. Ao chegar ele pegou muitos de surpresa, pois antes era conhecido pelo nome de Boas Misturas.

Além de um novo nome, ele trouxe um extenso conhecimento da autora sobre humanização hospitalar e também sobre a percepção e conhecimento dentro de um ambiente frio como o hospital.

Ao recebe-lo, a menina foi aos poucos inserindo-o em meu castelo e a cada palavra de Morgana, ela pode visualisar-se. Hora como palhaça de hospital que precisa deuma boa percepção para atuação, hora como filha e neta de pacientes que já permaneceram naquele ambiente.

Agora, Em cada visita que faz ao comodo do conhecimento no castelo em que construi em sua  mente, entra uma subjetividade humana incrivel, presente naquele médico mais “turrão” e que aos poucos sede um sorriso e também nos nos outros profissionais, que assim como pacientes e acompanhantes, merecem o calor de um sorriso diante de tanto gelo presente em um único lugar.

Ela encontrou o  pai que permitiu que o filho fechasse eternamento os olhos para esta vida e também o Doutor da Alegria que o visitou nesta visita. Encontrou momentos parecidos com os que já viveu contados por uma autora sensível, que conseguiu coloca-la em ambos os lados da história.

Essa menina chama-se Mariane Mirandola. As vezes transforma-se em Dra. Churaskinho e o cômodo que construiu no castelo do conhecimento construido  em sua mente com as pedras da insegurança, sem dúvida, esta sendo utilizado a cada encontro com médico, enfermeiro, copeiro e paciente.

Em seu sonho real de palhaço, ela pode perceber a importancia de muitos detalhes para quem a vê atuando e com certeza seu nariz de palhaço e olhar de voluntária Anjo da Alegria brilhará mais forte com o conhecimento adquirido.

O seu castelo esta crescendo e diante deste fato, ela indica, que o todos construam comodos de conhecimento em suas mentes. As mais aflitas podem encontrar o alivio e as tranquilas um motivo a mais para continuar batalhando....



Se acaso você desejar transformar-se também e encontrar com esses personagens reais, pode adquirir o livro clicando aqui.
Morgana Masetti também tem um blog, encontre-se com ela no endereço  www.eticadoencontro.com

domingo, 25 de março de 2012

Nunca acredite em um cobrador de ônibus.


Isso aliena mesmo!
(Peripécias da Mari)

Domingo,25 de março, às 6 da manhã o celular despertou. Levantei. Tomei café. Me aprontei e fui para o ponto (de ônibus). Fretado para Campinas chegou às 07. Passamos por Nova Odessa e Sumaré e em questão de 50 min chegamos a cidade cenário desta história.
8h perguntei à tia do EMDEC qual o melhor onibus para chegar no local desejado, e ela respondeu:
“Olha, você ali e pega o onibus”.
Sim, ajudou muito esta informação completa, mas por questão de segurança resolvi questionar:
“Ali onde?”
A vá, né?

“Vamos moça, que eu te mostro” – repateu com toooooooooooooda vontade do mundo.
“É ali, você sai, vira a esquerda, ao lado do semáforo e espero pelo ônibus X” – afirmou
“Ok – obrigada. Bom dia pra senhora viu?” – insisti na educação
“Hunf” –  Resposta mais deseja em um domingo de manhã, que ela me deu.
Estou eu no ponto. Entre gente, sai gente e nada do ônibus X. Passa otempo, 10 min, 20, 30, 1 hora lá e nada. 1 hora e 10 ele chegou. Melhor confirmar né?
“Bom dia cobrador, esse onibus passa no lugar tal, né?” – perguntei
“Opa, passa sim” – respondeu, todo animado
“O senhor me avisa quando tiver chegando, eu não conheço muito bem aqui”
“Moça, me lembra”
“Ok, sento perto do senhor”
O tempo passou mais um pouco. Troquei moedinhas para ele. Conversamos sobre o tempo e quando vejo: Pista errada. Tudo bem, pode ser que tenha algum lugar impedido, ele garantiu que passa no local desejado, mas de repente, tudo mudou. Uma placa à vista: JAGUARIUNA.
Assutei, mas melhor não questionar quando parece já ser tarde. Vi a Maria Fumaça, o pessoal entrando na igreja e a RODIVIÁRIA.
“Moço, acho que o sr me deu informação errada, estamos em Jaguariuna” – cometei
“Ptz é verdade, esqueci de te avisar” – relatou (a vá)
“Como eu poso fazer? Desço aqui ou posso voltar com vocês”? – questionei com cara de piedade
“Volta com a gente”
O tempo passa. O cara da em cima de mim. Me chama para conhecer a cachoeira três corações com ele. Menti dizendo que namoro. Questiona se eu gosto do meu namorado, digo que sim. Ele perde o celular. Outros passageiros entram. A pista esta de volta e de repente Campinas de novo.
“Cobrador, por favor, não esqueça de me avisar o ponto certo” – insisti
“Ok, fique tranquila”.
O tempo passa, passa muito e ele com cara de dúvida. Resolvi testar Murphy e ver se ele realmente estava comigo:
“Cara, você sabe o que esta me dizendo. Sabe onde estamos? Onde eu tenho que dizer? Estou mesmo no onibus certo?”
“Não, não sei” – respondeu na cara de pau.
“Porque você não disse antes, eu descia em outro lugar. Em Campinas eu me viro”. – indaguei.
“Sai perguntando para o pessoa ai, veja se eles não conhecem o caminho que você quer. Mas você é tão bacana, me passa seu telefone, deixa eu te ligar” – respondeu
(Pensamento já estava em só uma sigla F.D.P)
“Não, vou esperar e desço no centro” – respondi
Mas, como em todos os lugar existem Anjos, eis que apareceu. Uma moça loira, de óculos de sol e roupa branca. Tive a impressão, que ao passar a roleta e ela me olhou. Na verdade era impossivel não olhar para mim, pois com o onibus quase vazio, eu estava em  pé, com o bumbum doendo de tanto viajar. Mas, antes que ela passasse, questionei,
“Moça, como eu faço para chegar no local x”?
“A, estou indo para lá agora” – iluminadamente respondeu
“Jura? Se importa se eu te seguir?”
“Magina, vamos lá, mas você terá que pegar outro onibus”.
Descemos e o cobrador gritou:
“Não vai passar seu telefone?”
Paciencia tem limite, então eu disse:
“Como você quer me ligar, se não sabe ao menos onde esta?”
Todos riram, inclusive eu.
Chegamos no ponto certo. Ai descobri, pegueio onibus verde, com a numeração certa. Mas o correto era subir no vermelho e ao contrário do que a tia de “bom humor” me disse pela manhã, o ponto não era ali, era na próxima esquerda.
Tudo deu certo. Cheguei as 11h30min em um compromisso que era para ter chego às 9. Serei zuada eternamente pela minha familia, amigos e agora leitores deste post.

Após as entrevista, consegui uma (SANTA) carona para rodoviária. No guichê  a moça disse:
“O onibus sai em 6, agora 5 min.”
Sim, eu corri. O motorista estava tão bem humorado que quase não deixa eu entrar, mas cheguei sã e salva.
Portando,cuidado, o cobrador pode querer que você entre no ônibus apenas para te sacanear.
Talvez tenham me achado com cara de palhaça ;)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Palhaço: Ser com olhar de poesia



Atenção senhoras e senhores, preparem o corpo e  a mente, porque o espetáculo vai começar. Hoje não teremos marmelada e nem goiabada. O pequeno show será nas humildes palavras. Nada de tão engraçado, ou de tão espetacular. Apenas uma singela homanagem aquele que de nariz vermelho, pula as barreiras da tristeza, disfarça seu íntimo com um lindo sorriso e busca em cada ser humano uma alegria de viver.
Hora chamado de Augusto, hora de Branco, é conhecido por todos como palhaço e sua atuação vai além do que é pensado em roteiro.
Às  vezes engana a platéia, parecendo ser um personagem inexistente na realidade humana, mas, antes mesmo do espetáculo acabar, vão-se percebendo atrapalhadas presentes no cotidiano de cada um.
Sua atuação vai além do picadeiro. Está nas praças, no teatro, na Tv e até mesmo nos hospitais.
Há quem diga, que fazer seu papel é facil. Há quem tenta vestir um macacão e sair pelas ruas sorrindo, porém não basta querer ser, é necessário permitir-se ser um palhaço.
Antes mesmo de vestir o nariz vermelho, é necessário que a mente esteja em paz com o corpo e na mesma sintonia com a alma, pois além de um ser engraçado, o  palhaço é um ser puro, de coração nobre, com olhar de poesia.
Ele não tem problemas do cotidiano. Não se importa com tabus e está mesmo interessado em receber um lindo sorriso.
Conquista todos com sua simplicidade, com um abraço, uma flor, uma mimica ou até mesmo um singelo aperto de mão.
Sua origem está na pureza e na simplicidade. Na monarquia, eram chamados de “Bobos da Corte” e podiam criticar o rei a rainha com o objetivo de entrete-los.
Surgiram antes mesmo do circo. Tiveram importante papel no Oriente, onde conseguiram inclusive, fazer com que o Imperador mudasse suas idéias.
Na Grécia e na Roma faziam parte das comédias teatrais e na idade média, além de Bobos da Corte, atuavam também em feiras, cantando, contando contos e fazendo malabarismo.
Print da página do jornal em que
o artigo foi publicado.
A cultura de massa tentou modificar sua essência. Sua figura está em filmes de terror ou em produtos para beneficio capitalista, porém, aquele que tem o privilégio de conhecer um palhaço verdadeiro, saberá distinguir e será conquistado pela sua ternura.
Seu gesto, mesmo que simples, modifica aquilo que já parece fazer parte de um todo e ao mesmo tempo que o mundo parece desabar, seu olhar de poesia declama força, coragem e alegria para você seguir em frente.


              


Mariane Mirandola.
Estudante de jornalismo e 
aprendiz de palhaço
Artigo publicado no jornal O Liberal 
10/12/2011 página 02 


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Falando de Chaves...


Foto do seriado transmitido
em forma de desenho. 

Hoje pela manhã, li, "sem querer querendo", uma nota no jornal, a qual dizia que a audiência do seriado Chaves assusta emissoras concorrentes. Está ai a resposta para quando me perguntam, o porque sou fã deles.

Os personagens e seus bordões já estão na cabeça do povo. Todos assistiram os episódios disponíveis várias vezes e mesmo assim ele continua tendo uma boa audiência. Livros que contam sua história e a história dos participantes esgotaram-se várias vezes nas prateleiras das melhores livrarias.

As crianças, mesmo acostumadas com tanta tecnologia e com uma linguagem diferente da nossa época ficam encantadas com o programa. Identificam-se com o KIKO, garoto mimado, que cresceu sem o pai e lida todos os dias com a paixão de sua mãe pelo cara alto, com bigode, parecido com uma lingüiça que lhe ensina o “Be-a-ba”.

Torcem para que Sr. Barriga desvie das atrapalhadas do Chaves e querem, talvez só os meninos, um dia puxar o cabelo da chata e peste da Chiquinha- menina esta, atrapalhada, moleca, apaixonada pelo Chaves e muito amada pelo seu pai, o caloteiro Sr Madrugada.

Com esta personagem, podemos inclusive fazer uma ressalva e viajar na teoria psicanalista de Freud, e identificá-la em uma transição da fase fálica com o período de latência, onde a primeira afirma que a criança começa a se identificar com o oposto, ou seja, a sofrer o famoso Complexo de Édipo e desejar o próprio pai.

Não podemos perceber essa ligação diretamente, mas se associarmos sua idade (por volta de 6 / 7 anos), com seu amor incondicional pelo pai, a falta da mãe sua imaturidade em alguns momentos e o ciúmes que discretamente sente quando Madruga se encanta pela nova vizinha percebemos a atração.

A transição ocorrida é pela própria idade. Talvez pela falta de sua mãe, Chiquinha tenha demorado um pouco na transição de fases e ficou essa mesclagem para nós fãs telespectadores, onde inclusive, sem mostra “ a fim” de outro alguém sem ser seu pai.

As crianças desta época  podem não ser tão fãs de sanduíche de presunto ou não ter o mesmo equilíbrio com cabos de vassouras, mas também sonham com um mundo melhor. Talvez ao invés de sonharem com uma bola quadrada, hoje sonham com videogames modernos, com campos de futebol em 3D ou computadores ainda inexistentes nesta “Nova Era Mundial”.

O namorado da mãe pode ser qualquer pessoa. O desejo pelo pai pode ser diferente, mas continuam sendo crianças com necessidades básicas, que querem algo para comer, alguém para brincar, um espaço para chorar ou esconder-se por algumas horas – horas estas que a realidade pega pesado demais e ameaça destruir os seus sonhos.

Foram poucos recursos que criaram também um homem rico, dono da vila com aparência séria e gananciosa, mas com coração puro e verdadeiro (se não fosse essa última característica, Madruguinha estava na rua).

Esses poucos recursos criaram também um marinheiro que morreu durante expedição, uma senhora com aparência de bruxa, uma menina “fanha”, alunos quase obedientes, um gordinho que sofre bullying na sala de aula. Eles criaram uma vila, uma escola, vários personagens e uma linda história que ainda será contata aos meus tataranetos.

Infelizmente o elenco não tem o mesmo espírito dos seus personagens, que brigavam, se machucavam e minutos depois respeitavam a lei da “Boa Vizinhança”.  Atualmente, os que ainda vivem, esconderam-se no baú do rancor e pouco se falam, mas a essência continua no ar e sem dúvida esta foi uma das melhores criações que a cultura de massa já recebeu.


Mariane Mirandola

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Tour


Atenção senhores viajantes e sobreviventes do Planeta Terra, apertem o cinto, que a aventura esta só começando.
Em casos assustadores, favor não gritar e ao menos desistir, porque aqui, a vida é assim.
Vocês poderão encontrar com bandidos, assassinos, corruptos e ganaciosos, mas não se esqueçam, são todos da mesma raça.
Há quem morra de fome, de sono, de frio ou calor, mas não desistim, a vida aqui é feita de batalhas e somente os fortes e os que sabem guerrear junto com a paz sobrevivem.
Hoje, nosso tour principal é pelo Brasil, país de maravilhas mil. Aqui tem verão constante, bundas grandes, mulheres esculturais. Aqui tem cultura do vizinho, samba de tiro e funck pela paz.
Google Imagens
Aqui tem o programa desvalorização igualitária, ou seja, um desvaloriza o outro e ficam todos iguais. A bola do futebol gira pela violência, bate na trave do sucesso e é exportada, geralmente para Europa.
Fiquem tranquilos, que tudo que acontece aqui, pode acontecer em outro canto. Todos os animais deste Planeta precisam respirar para sobreviver, porém, apenas uma raça acaba com o ar necessario.
Nada de pânico, ninguém vai tentar contra nós, afinal nossa primeira passagem é pelo Brasil, com um povo brasileiro, hospitaleiro por amor, amável de dó, doente de pavor. Nós não vamos roubar nada do que é deles, mas afinal, o que é deles?....




Mariane Mirandola

domingo, 8 de maio de 2011

A culpa é do sistema

-“Com licença moça, me ligaram falando que minha filha sofreu um acidente e esta aqui. Posso ve-la? Como ela esta? Esta muito machucado? O que aconteceu? É Ela mesmo? – Questiona um pai desesperado na recepção de um hospital
-“Meu senhor, só um momento. Qual o nome dela. Sim ela esta aqui, mas o senhor não vai poder ve-la. Ela já é maior e não pode receber visitas no Pronto Socorro” – Responde a antipática recepcionista.
-“Mas moça, eu sou o pai dela. Quero ver se ela realmente esta bem. Ligaram pra mim....” – Indaga o pai.
-“ Desculpe senhor, é o sistema. Sem possibilidade...Próximo por favor”- retruca a recepcionista.







(Ficticio, porém real)

  Pois é meu senhor, tudo culpa do sistema. Um sistema criado por homens que também têm filhos e podem sofrer acidentes. Um sistema regrado por seres humanos que conseguem enxergar suas lágrimas e de longe sentir sua agonia de pai, mas que INFELIZMENTE, não podem criar algo além de lenços para enxugar suas lágrimas.
    A sua filha realmente poderia estar pouco machucada, porém maior ou menor de idade, estava precisando do seu abraço de pai.
    O senhor sabia que ela estava viva, mas não podia abraça-la e olhar em seus olhos. Não podia sentir o batiamento cardíaco daquela que tanto ama. Não pode ver sinal de vida ali, mas lhe obrigaram a acreditar que não estava morta. Que estava bem.
    Não se preocupe, isso acontece em todos hospitais. Em alguns, ainda lhe deixam papéis burocráticos como compania. Mas não vale errar o preenchimento e nem amassa-los.
    Muitos pensam que a saúde depende apenas de equipamentos cirurgicos, medicamentos, soros, agulhas, etc. Poucos sabem o quanto o calor humano, um abraço e um sorriso pode curar.
    O papel da humanização é tão importante quanto o sistema. Enquanto ele via regras, exige documentos e sustenta a burocracia, a humanização busca a cura, o conforto e o bem estar do paciente.
    Sua filha, acidentada, tem todo direito de ganhar um abraço e ouvir um “esta tudo bem” da boca de quem sempre lhe disse isso.  De quem sempre lhe acompanhou nos passeios e sempre lhe estendeu as mãos de um tombo ou outro.
    Sua filha, como demais pacientes, tem direito de saber que esta viva para a vida e não apenas para o sistema. Todos têm direito de saber que existe algo além dos exames, do soro e das agulhas. Que existe vida atrás do guarda e da recepcionista que ganha para obedecer ao sistema.
    Todos são seres humanos e como têm o direito de serem tratados como seres humanos e não apenas como parte de um sistema.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Frescurinha

Se um dia eu disser que te amo, meu bem, tenha certeza, que realmente te amarei. Caso eu diga que apenas te quero, relaxa e vá embora, porque na realidade, será um outro eu querendo te amar sem poder.


Quando na vida, eu pedir um abraço, acredite, eu preciso dele. Se a vida a lhe der muitos tapas, não queira, de forma alguma, dividi-los comigo, pois já tenho meu rosto todo marcado pelas injustiças momentaneas.

Se amanhã eu pedir para não mais lhe ver, eu te imploro, não suma, pois será quando eu mais vou precisar do seu querer.

A vida é assim, cheia de curvas e montanhas, mas em cada parada, quero ter nos braços e na memória a certeza de que valeu a pena ter sentido o que senti e sofrido o que sofri.

Se sofri, não foi por amor, foi por mim e por você. A paixão nos encontrou e agora foi embora, deixando apenas sementes de amor dentro de cada coração!

Se vamos semea-las e cultiva-las, não sei. O tempo pode dizer. O tempo pode mostrar, mas a única coisa que tenho a fazer, nesse exato momento é viver. Viver e esperar a semente nascer e o curativo para todas essas dores chegar!

Mariane Mirandola

sábado, 16 de abril de 2011

Sensacionalismo:


Menina de 20 anos é julgada assassina por matar pulga de estimação de seu cachorro:
Por Mariane Mirandola


A estudante, M.A.K.L.P.J.K, de 20 anos, foi julgada assassina ontem, pelo canil da pracinha, devido a morte da pulga de estimação de seu cachorro. Segundo relatos, M estraçalhou o pobre inseto durante o banho rotineiro de seu cão.
Arquivo pessoal. Imagem que retrata
momento alegre entre pulga e cachorro
A garota, durante julgamento, disse não saber que Nene – como era a denominada a falecida- estava lá. “Realmente é muito saber que Jojô, meu cachorrinho querido, perdeu seu querido animal de estimação, mas eu não tive culpa, não sabia que ela estava lá, afinal, todos os dias esse horário ela dava uma volta no corpo do gato do meu vizinho”.afirmou
No momento, o advogado de defesa tenta o pedido de habeas corpus, mas enquanto não sai, a assassina permanerá no canil, na jaula que pertenceu ao pit pull que avançou e matou seu dono, ano passado. Suas mãos ficarão algemadas até terem certeza que não há nenhuma pulga por perto para ela matar.




 Infame a matéria não? Porém podemos pensar: Quantos matadores de pulgas estão presos em ‘jaulas’ de pit pulls assassinos- enquanto esses continuam soltos, matando mais e mais? Pois bem, ao invés de julgarmos e apontarmos para o outro, está na hora de abrirmos os olhos e pensar, quem realmente tem culpa do que aconteceu.
A estudante afirmou não ter visto a pulga no cachorro, mas caso tivesse visto, teria direito a perdão? Se fosse ao contrário, se a estudante fosse assassinada pela pulga (não a tiros, pois creio que bichinho não tenha forças para segurar uma arma), teria algum direito sobre ela?
Não o mundo não esta de pernas para o ar, apenas nós, seres humanos, tememos às pulgas, enquanto cães e dragões estão soltos ao lindo ar que respiramos.
Tememos a morte, enquanto a vida continua, cheia de surpresas. Fugimos da alegria e sem querer encontramos a tristeza em qualquer esquina. Deixamos de lado o abraços, e partimos para o beijo. De mãos atadas, agarramos o que vem pela frente, rimos daquilo que parece ser bom, apedrejamos assassinos de pulgas e mantemos um triste sistema de ilusões, onde a justiça é feita para os homens de bem e a vida tras alegria aqueles que não querem ou não sabem viver.!

Abraços,
Mariane

domingo, 23 de janeiro de 2011

O riso na vida alheia


Já dizia o grande poeta Mario Quintada “O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores”, porém será mesmo que ele ajuda a vida em algo a mais?
Freud afirmava, inteligentemente, que,o homem ao passar por uma cena cômica e dela rir, têm grande melhora na saúde física e mental.  Na Alemanha foi provado, através de pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia de Dusseldof, que rir é tão bom quanto praticar esportes.
Segundo a psicologa, mestre e doutora em ciências, Silvia Elena Cardoso, o riso tem função de comunicação,onde promove efeitos positivos nos contatos sociais.
Antes mesmo do cérebro formular uma frase de cumprimento, ele já prepara uma comunicação não verbal. A expressão transmitida ao receptor da nossa mensagem, a maioria das vezes, pode contar muito mais que a própria comunicação verbal.
Uma transmissão de informações pode semdúvida obter ruído quando a comunicação verbal não “casa” com a não verbal.
Um exemplo a ser tomado é o dia a dia de qualquer pessoa, que em plena segunda feira, acorda mal humorada, sem querer bate o pé na porta do quarto, perde hora, e quando chega no trabalho diz “BOM DIA”(bastante forçado) ao seu superior e aos colegas que ali estão. O bom dia dito sem dúvida foi com a cara fechada, mostrando a todos que seu dia não estava nada bem.
Se acaso ela chegasse com um sorriso nos lábios, focalizasse cada um com um olhar de simpatia e dissesse apenas um OI, sem dúvida todos entenderiam como um bom dia e aquela atitude podiria torna-la diferente.
Na vida ninguém é igual a ninguém. Cada um tem uma personalidade diferente, distinta aos demais. O ser humano é formado por identidades variadas, fazendo com que cada um siga cultura que se acomode e sinta-se bem, entre as várias existentes no mundo.
Todos passam por problemas, sentem-se inseguros com certos acontecimentos, porém todos são livres, livres para viver e para optar em ter uma comunicação não verbal fechada ou aberta e livres para a total consciência que o sorriso e o riso ( comunicação não verbal aberta) abre caminhos aparentemente impossiveis de seguir. 


Mariane Mirandola






terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A voz da notícia.


A voz da notícia.

Bom dia Sr. João, pode levantar que o noticiário já vai começar. Alô Dona Tereza, o café esta pronto? Então sirva à mesa que as primeiras notícias da região já vão entrar no ar. Todos os ouvintes preparados? Então sintam-se a vontade de aproveitem o jornal da manhã.
Noticias passadas, correria retomada, mas afinal, de quem são aquelas vozes que nos informam? Será que estão ali por opção ou por necessidade? Será que estudaram exatamente para serem rádio-jornalistas ou o mercado de trabalho concedeu tal oportunidade?
Para responder tal questão, apresento-lhes a repórter Maria Fernanda Nastrini, 34 anos, a qual está no rádio por ter sido sua primeira oportunidade após a formatura. Ela conta que, ao terminar a faculdade, em 2001, resolveu voltar para sua cidade natal, Belo Horizonte, onde residiu durante 2 anos; anos estes que não conseguiu nada no ramo da comunicação, ou seja, a voz que hoje transmite noticias pela rádio Azul Celeste de Americana, é a voz que sentiu na pele a dificuldade da maioria – de conseguir uma vaga na área desejada.
Diferente de Maria Fernanda, posso apresentar-lhes Paula Martim, repórter da Rádio Você, uma voz noticiosa e recém formada. Já trabalhou como estagiária de assessoria da secretaria de saúde e também como apresentadora voluntária em um canal fechado. Acredita que o que contribuiu para tal sucesso profissional foi sua desenvoltura adquirida no teatro.
Enfim, o povo ouve as vozes da noticia que batalham no mercado de trabalho. Vozes essas que, segundo Maria Fernanda, não podem ter a timidez como principal característica.  
São vozes do perfil curioso, pró-ativo e com capacidade de síntese, onde conseguem transmitir o fato no tempo disponível.
O ouvinte procura a noticia com clareza. O mercado de trabalho procura a pessoa certa que transmita o acontecimento de forma que se pede o veículo.
A voz que informa o Sr. João não é necessariamente a mesma voz que estudou durante anos, mas sim a voz que demonstrou clareza, desenvoltura e segurança na dicção.
A voz que informa dona Maria é a voz que o mercado escolheu. É o destaque entre a concorrência e a informação obtida para poder os ouvintes informar. 


Mariane Mirandola

Agradecimento especial às repórteres Paula Martim e Maria Fernanda Nastrini pelo tempo disponibilizado em razão das entrevistas.

domingo, 28 de novembro de 2010

A Guerra pela Paz.


A Guerra pela Paz.
               


Brasil, novembro de 2010. Tiros para todos os lados. Corpos jogados ao chão. Vitória da gangue? Vitória dos homens? Derrota da vida!
                Estamos guerreando em busca da paz. Estamos matando pela vida. Estamos corrompendo barreiras do medo para segurança.
                Não falamos do Rio de Janeiro, falamos do Brasil, o país tropical abençoado por Deus. A beleza esta manchada de sangue. A prisão não tem grades e atrás das grades está quem logo conseguirá liberdade.
                As pessoas perigosas não existem mais, pois o que existe são seres alienados com fome de capital e sede de poder.
                Enquanto mendigos pedem dinheiro para a pinga ou para o pão, homens armados quebram garrafas, amassam a farinha e sentem-se donos do mundo.
                A música parece ser outra. A batida não é de alegria e busca pela paz tornou-se algo contra à vida, tornou-se uma guerra sem saída, onde todos são iguais, todos são vitimas de um sistema ganancioso e desigual que dispara contra as ondas e estoura a tempestade sem raios.
                Todos são brasileiros, filhos da Pátria amada. São doces desejos de acerto da bala que paira do ar. São pais e filhos guerreando por um único objetivo: A PAZ. 

Texto e montagem: Mariane Mirandola

domingo, 12 de setembro de 2010

Carta de uma criança – Eleições 2010.

Carta de uma criança – Eleições 2010.





   Oi senhores candidatos, tudo bem? Não sei se vocês sabem quem que sou eu, mas posso dizer que sei que é vocês. Tenho 8 anos e to aprendendo a escrever. Já sei fazer conta de mais e menos e outro dia a professora falou pra gente o que é cidadania.

   Aqui nesse papel não quero falar desse assunto chato. Só quero pedir umas coisinhas. Eu sei que não tenho idade pra votar e que essa tal de política é coisa de adulto mas não custa pedir n é?
Foto: Mariane Mirandola
   Outro dia eu tava andando na rua com minha mãe e vi um homem todo sujo deitado num banco. O pé dele saia sangue e fazia da sua mochila um travesseiro. De primeira fiquei com medo, mas depois me deu uma dor no coração, coitado, acho que não tem pai nem mãe. Por essa visão tenho que pedir pra quem ganhar mais voto proibir todo mundo de andar sozinho. As vezes ele queria ate chorar, mas tava com verginha ou com medo por não ter ninguém pra ajudá-lo depois.

   Falando desse negocio de ficar sozinho, tenho que pedir também que vocês proíbam nossos pais a ficar sem emprego. La na escola o pai e mãe da Clarinha não estão trabalhando e quando entrou o frio a professora teve ate que pedir roupa usada pra ela porque não tinha dinheiro pra comprar.

   A não posso esquecer de pedir que proíbam as pessoas de ficarem doente. Outro dia me deu maior febrão daí no hospital publico o Dr. disse que era uma tal de pneumonia mas que não podia me internar porque todos os quartos tavam lotados. Ai eu fiquei numa cama no meio do corredor. Eu ainda podia descansar mas minha mãe teve que ficar sentada numa cadeira de plástico para gente magra e ela é fofa.

   Tenho outros pedidos mas faço outro dia, porque vai demorar ate todo mundo obedecer essas novas ordens não é?

Um beijo da Mariazinha!


Talves eu não tenha essa alma pura e inocente, mas fica a critca e o pedido maior: Por favor senhores candidatos, não se esqueçam que no Brasil ainda moram Seres Humanos, pessoa da mesma raça que vocês com os mesmos desejos e necessidades.



Redação e Imagem: Mariane Mirandola
Foto tirada da Praça Francisco Matarazzo em Americana

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tempestade de Alpiste





Incerteza? Lágrimas? Decisão?!?! Fuga?Vida!



   Agonia de estar entre o pranto e a mentira. Certeza da fuga não vale à pena quando se descobre a triste realidade sobre a mentira.
   Talvez hibernar até o próximo verão seja a solução, mas que solução drástica é essa que ainda faz bater meu coração? Será que existe outro alivio fora lágrimas? Talvez meu canto, doce canto pica pau sem bico alivie essa tempestade de alpiste que atrapalha minha visão ao futuro.
   Futuro insólito; quero plural para decisões. Talvez coragem para ganhar outros corações, mas apenas um sorriso para ter certeza que valeu a pena ter vivido todos esses dias lagrimejados por tempestade de alpiste...

domingo, 15 de agosto de 2010

Muito prazer

Muito prazer





   Sou palhaça de nariz vermelho. Tenho em minhas mãos o dom da magia. Tiro da cartola truque do riso e assopro com prazer sementes de alegria
   Minha face é pintada, mas meu rosto não é mascarado. Falo com olhar, ouço com o desejo e guio-me pelo simples fato de saber amar.
   Amo porque existo. Existo porque amo. Falo porque quero e consigo porque tento. Sou filha da vida e dona do momento. Escrava da poesia e eterna guardiã das estradas que contém semente de alegria plantada.