domingo, 12 de setembro de 2010

Carta de uma criança – Eleições 2010.

Carta de uma criança – Eleições 2010.





   Oi senhores candidatos, tudo bem? Não sei se vocês sabem quem que sou eu, mas posso dizer que sei que é vocês. Tenho 8 anos e to aprendendo a escrever. Já sei fazer conta de mais e menos e outro dia a professora falou pra gente o que é cidadania.

   Aqui nesse papel não quero falar desse assunto chato. Só quero pedir umas coisinhas. Eu sei que não tenho idade pra votar e que essa tal de política é coisa de adulto mas não custa pedir n é?
Foto: Mariane Mirandola
   Outro dia eu tava andando na rua com minha mãe e vi um homem todo sujo deitado num banco. O pé dele saia sangue e fazia da sua mochila um travesseiro. De primeira fiquei com medo, mas depois me deu uma dor no coração, coitado, acho que não tem pai nem mãe. Por essa visão tenho que pedir pra quem ganhar mais voto proibir todo mundo de andar sozinho. As vezes ele queria ate chorar, mas tava com verginha ou com medo por não ter ninguém pra ajudá-lo depois.

   Falando desse negocio de ficar sozinho, tenho que pedir também que vocês proíbam nossos pais a ficar sem emprego. La na escola o pai e mãe da Clarinha não estão trabalhando e quando entrou o frio a professora teve ate que pedir roupa usada pra ela porque não tinha dinheiro pra comprar.

   A não posso esquecer de pedir que proíbam as pessoas de ficarem doente. Outro dia me deu maior febrão daí no hospital publico o Dr. disse que era uma tal de pneumonia mas que não podia me internar porque todos os quartos tavam lotados. Ai eu fiquei numa cama no meio do corredor. Eu ainda podia descansar mas minha mãe teve que ficar sentada numa cadeira de plástico para gente magra e ela é fofa.

   Tenho outros pedidos mas faço outro dia, porque vai demorar ate todo mundo obedecer essas novas ordens não é?

Um beijo da Mariazinha!


Talves eu não tenha essa alma pura e inocente, mas fica a critca e o pedido maior: Por favor senhores candidatos, não se esqueçam que no Brasil ainda moram Seres Humanos, pessoa da mesma raça que vocês com os mesmos desejos e necessidades.



Redação e Imagem: Mariane Mirandola
Foto tirada da Praça Francisco Matarazzo em Americana

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

   Tarde meus amigos. Sabi aquele perto nu peito qui da di sardade? Intão, parece qui aqui no trabaio vai te!
Hoje é dispidida da Lininha, minina maior sapequinha. Ela vai trabaia num lugá ondi tem mais denheiro e a cumida é viva. Viva eu falo, não pelos frango que corre e pula na nossa boca mas sim pruquê num é do mortinho – o restar-rante sem sabor.
   Mai tudo bem, si é bom pra ela, quem so eu pra num concorda. Mai como hominagem pra trabaiadora vai aqui um pueminha. Eu memo que fiz. As rima aprendi com minha tia e as palavra bunita sairo di dentro do cérebro da carpira!



Linha, a minina sapequina


É mintira qui as nuvem são di godão
Mas mintira num é que sua amizade m
mora nu meu coração

Durante as tarde, qui presta nóis num fala nada
As boca si mexe so pra da risada
Mais é tão legal ri cum voce e as minina
Pruque voceis já faiz parti da minha vida

Num vo chora pra dize tchau pruque
Pra sempre vo ti vê
Tenho sua imagem guardada dentro da câmera
A câmera num é qui nois trabaia i nem di TV
Mais sim dus meus zoinho
Qui filmaram pra sempre seu sorriso!

Gradeço pela cumpania e espero e abraça outro dia
Depois de uns anus seremos tudo formada.
Vanessinha veterinária pra cuida dus leite da boiada
Oce e Mayara fessora xique que fala tar de bilíngüe
Eu e Veiga jornalista sem dinheiro, comendo pão com aveia
Alana da presidência na facurdade defendendo patrão
E tudo as outras cheia do sucesso, passando longe do mensalao.

Só pra caba logo cum as palavras, quero repiti di novo
Qui oce que vai e tudo oceis que fica já ganharam casa
Bem bunita dentro du meu coração!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tempestade de Alpiste





Incerteza? Lágrimas? Decisão?!?! Fuga?Vida!



   Agonia de estar entre o pranto e a mentira. Certeza da fuga não vale à pena quando se descobre a triste realidade sobre a mentira.
   Talvez hibernar até o próximo verão seja a solução, mas que solução drástica é essa que ainda faz bater meu coração? Será que existe outro alivio fora lágrimas? Talvez meu canto, doce canto pica pau sem bico alivie essa tempestade de alpiste que atrapalha minha visão ao futuro.
   Futuro insólito; quero plural para decisões. Talvez coragem para ganhar outros corações, mas apenas um sorriso para ter certeza que valeu a pena ter vivido todos esses dias lagrimejados por tempestade de alpiste...

domingo, 15 de agosto de 2010

Muito prazer

Muito prazer





   Sou palhaça de nariz vermelho. Tenho em minhas mãos o dom da magia. Tiro da cartola truque do riso e assopro com prazer sementes de alegria
   Minha face é pintada, mas meu rosto não é mascarado. Falo com olhar, ouço com o desejo e guio-me pelo simples fato de saber amar.
   Amo porque existo. Existo porque amo. Falo porque quero e consigo porque tento. Sou filha da vida e dona do momento. Escrava da poesia e eterna guardiã das estradas que contém semente de alegria plantada.



domingo, 8 de agosto de 2010

O diário de Duke

O diário de Duke

1º parte.



Relatos de uma vida de cão





   Querido diário, hoje foi um dia muito especial. Acordei, espreguicei e tentei comer alguma coisa, mas como espreguiçar cansa muito resolvi voltar a dormir.
   Acordei novamente e antes que me aborrecesse com algum ato cansativo resolvi tomar café da manhã. Tinha gente sentada à mesa; então solicitou um pedaço de pão. Olhei uma vez e nada. Outra, porém ninguém se tocou.
   Apelei ao barulho e com um som nada agradável solicitei a atenção de todos. Quando me olharam não perdi tempo. Lacrimejei os olhos, ergui as sobrancelhas e passei a língua entre os lábios. PIMBA, ganhei um pedaço.
   O pão tinha manteiga e estava molhado com leite. Muito bom pena que era pouco. Apelei novamente, dessa vez com outra pessoa. Olhei, olhei. Ela se comoveu, mas... jogou o pão em sua enorme boca e quando não estava comendo mais nada resolveu me fazer carinho (DROGA).
   Sem chances de um novo pedaço de pão apelei à ração. Estava um pouco dura porém saborosa. Cansado pelo trabalho de pidão resolvi dormir, mas antes que deitasse ouvi ruídos. Corri, soltei a voz o quanto pude e de repente ouvi, de longe um elogio, “Que fofinho”. Era uma senhora estranha. Usava saia florida, tinha cabelos brancos e falava caipira. Me irritou de tal maneira com o “fofinho” que resolvi abocanhá-la.
   Minha família correu socorrê-la, mas ninguém se importou comigo. Posso traumatizar se todos me chamarem de fofinho. Não sou guloso, apenas como 5 kg de ração ao mês, imploro por comida e amo doces, mas enfim, ninguém me compreende.
   Cansado, com aquela senhora ainda reclamando na minha casa, fui deitar. No momento em que fechei os olhos ouvi: “BEBE CADE VOCÊ?”. Bebê de novo não. Pensa que mico, você com 7 anos, latido perfeito, ser chamado de “Bebê”. Mas enfim, ergui as orelhas, saltei meus cansados olhos, preparei o rabo e corri em direção aquela voz. Era uma das minhas donas. Ela é gulosa, mas adoro esse defeito, porque repartes doces comigo. Fora isso me leva, de vez em quando, andar na avenida.
   A tarde foi-se passando. Estou exausto e agora vou dormir. A cama da minha dona me espera. Como ela vai assistir TV ofereço minha doce companhia e assim que o programa acaba sou jogado do lado de fora como um simples cão de guarda....

 
 
 
 
Foto tirada em meu sono de beleza!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ilusão de realidade




   O sol nasceu, o príncipe não encontrou o cavalo branco e foi-se para outros rumos. Uma mulher de várias faces encontra-se presa com a bruxa e os dias que seriam felizes para sempre estão tornando-se um terrível pesadelo na vida de todos.
   O tempo passa cada vez mais rápido e do passado resta apenas lembranças. A princesa luta pela liberdade, porém poucos conseguem trazê-la ao mundo. O príncipe, isolado em um caixão de ferro não consegue voltar para concretizar sua união e a rainha sente-se cada vez mais desmotivada
   Suas lágrimas escorrem constantemente pelas ruas e avenidas. Causam enchentes e matam milhares de pessoas. Sua tristeza atrai todos para solidão e sua revolta inunda o mundo de decepção.
   A princesa – ainda viva- pode ser chamada de esperança. O príncipe de igualdade. A rainha de vida e a bruxa de ganância.
   O conto não precisa ser de fadas. A realeza não implora pelo ouro, mas sim pela atenção de todos onde, se for recuperado o grande amor de um príncipe dado como morto e uma princesa presa, poderá ter-se novamente o final feliz para sempre.
   A derrota da bruxa é tida com a existência da princesa e realidade desse conto encontra-se dentro de cada um. Dentro de cada ser humano que desistiu da vida, abandonou a esperança e faz da ganância uma grande aliada...!



Mariane Mirandola

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A morte de Deni



"Culpado ou inocente o que permanece são as tristes lembranças de um alguém que amava viver"



    Socorro gritou a menina antes de morrer. O dia amanheceu a polícia já estava a concluir o trabalho de investigação quando surgiu um novo suspeito.
   Jovem, 24 anos, cabelos e olhos castanhos, um metro e setenta de altura 85 kg. Sofredor de amor não correspondido, usuário assíduo do ciúme – o melhor amigo da vitima.
    A família duvida que possa ser ele o culpado, porém testemunhas ocultas afirmam vê-lo com um pedaço de pau na mão ( parecido com estava jogado ao lado da vitima). Senhoras evangélicas pregavam no chão onde o corpo foi encontrado. Mulheres de meia idade julgavam o rapaz pelas suas vestimentas e cinco homens que trabalhavam em uma construção vizinha garantem ter ouvido gritos, porém de um lugar contrário de onde o corpo foi localizado.
    A manhã já estava partindo. O cheiro de bife acebolado tomava conta das residências e os policias já tornavam-se escravos da fome e do cansaço. O caso foi dado por encerrado e Gabriel (nome do principal suspeito) foi aguardar o julgamento na prisão.
    No velório amigas estavam inconformadas e com lágrimas escorrendo imploravam justiça. A família do suspeito foi de encontro à família da vitima, onde ninguém acredita ser ele, o homem sofredor de amor não correspondido, usuário assíduo do ciúme o verdadeiro culpado.
    No caixão uma mulher serena parecia dormir. Seu corpo não apresentava hematomas. Apenas em seu pescoço havia marca forte. A maquiagem disfarçava a expressão de tristeza e olhos fechados demonstravam um sono profundo.
    Na delegacia o depoimento. Sua defesa: “O pau foi usado para matar um rato. O grito foi pelo animal ter passado sobre seus pés e a morte de causa natural. A marca no pescoço apenas pela queda”- verdade ou mentira foram essas as únicas palavras ditas pelo suposto assassino.
    De classe operária a família não foi procurada pela mídia. No dia seguinte apenas uma pequena nota no impresso da cidade já julgando o acusado como culpado. O corpo já estava enterrado, mas a dor de manter um belo sorriso apenas na lembrança apenas nascia.
    A verdade: apenas duas pessoas realmente sabem: Uma morreu e a outra esta presa por duvidarem de sua palavra. O julgamento? Será realizado o dia em que as autoridades não forem mais escravos do cansaço e da burguesia atual.






Mariane Mirandola